o trabalho O Espigão e suas janelas - possibilidades no vazio deu continuidade a uma pesquisa acadêmica iniciada em 2013 que discutia os processos de formação da identidade e imagem das cidades através do olhar fotográfico, passando por outras questões como paisagem, elementos visuais presentes na paisagem e memória coletiva.

quando iniciei a tese final foi natural continuar me aprofundando nesses temas já iniciados três anos antes e poder estudar temas que haviam surgido durante a primeira pesquisa.

o trabalho constitui num mapeamento das vistas, para os remanescentes da paisagem natural e para o horizonte da cidade de são paulo, levantadas a partir da prática do caminhar e do contato direto do corpo com a cidade, só ele, no espaço e no seu próprio ritmo, capaz de perceber as nuances e camadas da paisagem urbana de uma cidade tão múltipla quanto São Paulo.

as vistas aqui são interpretadas como grandes e importantes vazios na cidade. o resultado do trabalho é um livro processual onde são narrados os relatos fotográficos e escritos das travessias realizadas pelo Espigão (região mais alta da cidade), com as análises das vistas encontradas ao longo do caminho, além do projeto final que consiste em um manual de manutenção dessas vistas e a criação de um sistema visual que indica a presença dessas vistas.

  • a publicação foi selecionada na chamada aberta Imaginário da Cidade da 11a Bienal de Arquitetura de São Paulo para participar de uma exposição na Biblioteca Mário de Andrade e para integrar o acervo permanente da instituição
  • um dos desenhos presentes no livro foi selecionado também dentro de uma chamada aberta do site de arquitetura Archdaily
        
são paulo, brasil, 2016

A estante Cobogó foi desenvolvida para a matéria de projeto da Escola da Cidade, em 2016, na qual a proposta era pensar em melhorias para o prédio que abriga a escola de arquitetura. Assim, a estante seria destinada a uma possível nova biblioteca.
Pensada a partir de um sistema modular, a estante de chapa metálica possibilita uma economia de material uma vez que os encaixes entre módulos se dão através de um chanfro e de dobras laterais, acontecendo um intervalo entre os módulos, portanto.
Também foi feito um protótipo de modo a ver em escala 1:1 quais as problemáticas do desenho.

legenda das imagens:

(1) cortes longitudinal e transversal da reforma e ampliação da biblioteca
(2) possibilidades de layout da estante modular Cobogó
(3) diagrama de montagem das peças da estante
(4) detalhes
(5) corte longitudinal
(6) corte transversal
(7) corte longitudinal

O projeto foi desenvolvido dentro do tema proposto pelo Estúdio Vertical, Adições e subtrações, em 2016.

Iniciamos nossa inserção no debate sobre preexistências em busca de catalogar espaços vazios na cidade. O primeiro debate sugerido se baseou em como conceituar o termo ‘vazio’, interpretado como o espaço físico recipiente de diversas e complexas ambientações. Necessitávamos compreender as distinções entre o espaço tridimensional e a concepção de lugar, conforme as leituras fenomenológicas de Heidegger, feitas pelo arquiteto Norberg Schulz. (bibliografia).
Passado este embate e essa inserção de matriz fenomenológica, com o desenvolvimento do trabalho, ganhamos dois objetos que consideramos compor um conjunto na cidade, a partir de nosso recorte de um trecho do Espigão da Paulista; as praças Waldir Azevedo e Amadeu Decome, ambas localizadas na Cerro Corá, região oeste de São Paulo. A motivação do recorte ¬se baseou em nossa interpretação das singularidades das duas praças dentro de um contexto urbano mais amplo, seu conjunto de problemáticas e potencialidades reveladas, principalmente, por sua topografia e sua potência visual, a qual possibilita ao usuário sua orientação e localização na cidade, – nos leva a pensar em como seria desenvolver futuras intervenções nestes espaços, nossos objetos de estudo.
Compreendida a interpretação de Heidegger acerca do conjunto de fatores que influenciam a atmosfera do espaço, ou seja, o caráter singular e plural do recipiente físico, passamos a elencar fatores técnicos e sensoriais que dispunham ambas praças e interpretar suas implicações, fossem elas positivas ou negativas. A análise se desenvolveu em três frentes de escala: territorial, regional e local. A ênfase de cada uma destas aprofunda os variados fatores que compõem e denotam o caráter atual de ambas. O territorial, a partir da leitura geomorfológica do espigão central, desde a Serra da Cantareira; o regional, revelando o tecido urbano mais imediato dos bairros que a Cerro Corá atravessa, denotando a influência da topografia dentro da implantação de vias e construções, além do contraste entre a própria avenida com seu entorno, avenida de forte viés rodoviário, de interligação de parte da zona oeste com a região central da cidade; finalizando no local, aproximando a leitura de questões relevantes no interior das praças, sobretudo em seus desníveis, seus usos e, seus potenciais, lidos a partir de questões “técnicas”, sem excluir uma abordagem empírica e sensorial.
A topografia, entendida como fundamental para a singularidade das duas praças e, fator que as coloca como um conjunto dentro da Cerro Corá, nos revelou tanto problemáticas como potencialidades; a qualidade de seus eixos visuais, a revelação das camadas justapostas da cidade, além da abertura para um olhar desimpedido do horizonte, podem ser vistos como grandes atrativos para darmos sequencia ao trabalho. As vezes, um mesmo aspecto se coloca como uma qualidade e como um problema, dependendo do ponto de vista. Por exemplo, a massa vegetal atrelada ao desnível do solo, de ambas praças, acaba gerando uma clara mudança na percepção da temperatura e no ruído sonoro. O som se dissipa no ambiente e a iluminação é filtrada pelas copas das arvores. Por outro lado, as mesmas cotas que promovem eixos visuais também geram barreiras físicas, impedindo a vista e a fluidez da circulação, acarretando numa baixa apropriação humana da praça, relegadas a poucas atividades descontínuas, as quais não se conversam dentro do espaço. A conclusão é a de que o mesmo desnível entre a Cerro Corá e o tecido urbano que a cerceia, pode promover em ambos locais, situações de fuga de uma urbanidade acelerada, característica do centro expandido, sendo lidas tanto como potenciais para um possível projeto como problematizadas para o seu futuro desenvolvimento.
Conforme as leituras e nossas próprias interpretações, o objetivo parece caminhar para tentar estabelecer uma conversa que destaque suas paisagens reveladas, tanto das praças como da própria Cerro Corá, entendendo suas potencialidades que podem promover uma maior orientação dentro da cidade e a ênfase na desobstrução da paisagem, enxergada ora como fragmentada ou como una; nosso objetivo é não definir estes horizontes de maneira assertiva, mas revelar por meio de ambas praças, suas diversas interpretações de cidade, abrindo o leque de leituras a partir da amplitude visual dos locais. O foco do trabalho olha tanto para a escala regional (bairros imediatos às praças), quanto para um meio urbano ampliado. O objetivo transcorre em abrir para o pedestre a possibilidade de orientação geográfica da cidade, sensorial e diversificada, a partir da percepção e recepção de cada indivíduo.

equipe: Caio Sertório, Derek Orlandi, Manuela Lourenço, Maria Clara Van Deursen e Ronan Mathieu

orientação: Silvio Oksman, Marcos Boldarini e Martin Corullon






o centro de agricultura urbana foi desenvolvido dentro da disciplina de projeto da faculdade de arquitetura e urbanismo Escola da Cidade. 
o projeto consistia em dar novo uso ao terreno do antigo gasômetro da cidade de São Paulo, o qual pertence atualmente a Comgás, onde existem alguns edifícios tombados. 
tendo em vista, o tamanho do terreno, a importância histórica para a memória da população e a proximidade com as regiões do Gasômetro e da Zona Cerealista optou-se em estabelecer um ponto de produção, trocas e conhecimentos agrícolas dentro da cidade, de forma a empoderar pequenos produtores, mas também fazer com que os moradores da cidade passem a cultivar seus próprios alimentos de maneira a depender menos de grandes empresas, diminuindo as etapas entre a mesa e o produtor.
dessa forma, os antigos balões de gás foram transformados em locais para cultivo de espécies de árvores enquanto todo o solo do terreno passa a ser utilizado como terreno fértil para cultivo de alimentos. os antigos edificios tombados ganham um novo uso: escola de gastronomia, espaço para oficinas e workshops em torno de alimentação viva e restaurante.
novos volumes são adicionados, de forma a abrigar granja, depósito de alimentos, composteira e também, espaço para feiras e trocas de alimentos. por fim, é criada uma pavimentação que indica os diferentes tipos de solo e torna todo o terreno permeável e livre para a circulação de pedestres que saem do metrô parque dom pedro II. 

1. planta térreo
2. corte longitudinal
3. corte transversal + diagrama implementação diferentes pisos

status: projeto acadêmico
orientador: Fábio Valentim

são paulo, brasil, 2015



O projeto ocupAR.TE foi desenvolvido dentro da temática Espaço Livre no Campo Limpo, para a disciplina de Estúdio Vertical da Escola da Cidade, durante o primeiro semestre letivo de 2015.
A partir do entendimento de que o tempo livre, isto é, o tempo do ócio, deve ser lúdico e possibilitar diversas apropriações do subjetivo, foi pensada uma instalação que pudesse questionar o local em que se inseria, despertando um sentimento de identidade. Para isso, varias ONGs e grupos ativos no Campo Limpo tornaram-se parceiros para que se chegasse numa forma mais coerente de se atuar na região.
A instalação consistia numa série de eventos que aconteceram em dois pontos diferentes, num escadão e numa praça movimentada ao lado do terminal do Campo Limpo. Atividades lúdicas e interativas foram propostas aos moradores; o desenho da paisagem e do bairro numa supérficie translúcida e cinemas para os moradores, ação conjunta com um dos grupos acionados.

equipe: Ana Tranchesi, Manuela Lourenço, Martin Arena Daegen, Nicholas Gennari e Tiago Guimarães

orientação: Mauro Munhoz

legenda das imagens:
(1) tempo de estar
(2) tempo de morar
(3) tempo de deslocar
(4) diagrama da virtualidade criada entre lugares
(5) diagrama das atividades propostas na região
(6) cartazes de divulgação dos eventos no Campo Limpo
(7) desenhos técnicos da mesa proposta para desenho
(8) desenhos técnicos da mesa proposta para desenho + encaixe de madeira
(9) sistema do painel utilizado para a atividade de desenho
(10) fotos da produção das mesas e paineis
(11) fotos da produção das mesas e paineis
(12) fotos dos eventos
(13) fotos dos eventos
(14) fotos dos eventos
(15) fotos dos eventos
(16) fotos dos eventos

manupbsl@gmail.com

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